
Por que eu comecei a usar outros tipos de farinha e trocar a farinha de trigo
Eu lembro bem do dia em que decidi parar de comprar farinha de trigo para o dia a dia. Foi depois de perceber que praticamente tudo que eu empanava, engrossava ou “dava liga” na cozinha dependia dela — e, junto, vinha aquele pico de glicose e aquela sensação de peso depois da refeição.
Se você já tentou reduzir a farinha de trigo da sua rotina e sentiu que ficou “sem opção” para empanar, engrossar ou dar textura às receitas, eu entendo bem essa sensação de estar travada. Eu sei como é frustrante querer comer melhor e sentir que perde praticidade no processo.
A boa notícia é que existem pelo menos 7 farinhas alternativas fáceis de encontrar (ou de fazer em casa) que resolvem esse problema — e duas delas, a farinha de porco e a farinha de frango, você pode preparar tanto com a pele quanto com a carne, aproveitando melhor o que já tem na geladeira.
Neste artigo eu vou te mostrar essas 7 opções, os benefícios de cada uma e como usá-las no dia a dia.
Confia em mim: depois que você conhece essas alternativas, a farinha de trigo deixa de ser “indispensável” na cozinha.
Por que substituir a farinha de trigo?
A farinha de trigo é rica em carboidratos refinados e glúten, o que pode gerar picos de glicose no sangue, inflamação (em pessoas sensíveis ao glúten) e menor saciedade. Substituí-la por opções com mais proteína, gordura boa ou fibra ajuda a controlar o açúcar no sangue, prolonga a sensação de saciedade e é essencial para quem segue protocolos low carb, cetogênicos ou tem restrição a glúten.
As 7 farinhas alternativas

1. Farinha de Porco (pele ou carne)
Feita a partir da pele de porco (torresmo) torrada e moída, ou também da carne de porco desidratada e moída. A versão de pele é mais crocante e rica em gordura; a versão de carne é mais proteica e neutra, ideal para quem quer um empanado mais leve.
2. Farinha de Frango (Pele ou Carne)
Assim como a de porco, pode ser feita com a pele do frango torrada até ficar crocante, ou com peito de frango desidratado e moído. A versão de carne rende uma farinha mais clara, com sabor bem discreto — ótima para quem não gosta de sabor forte de empanado.
3. Farinha de Amêndoas
Feita a partir de amêndoas moídas, é rica em gorduras boas, vitamina E e proteína. Ótima para bolos, panquecas e empanados mais leves, com sabor levemente adocicado.
4. Farinha de Coco
Produzida a partir da polpa de coco seca e moída, é rica em fibras e tem sabor levemente adocicado. Ótima para receitas doces low carb, como bolos e biscoitos, mas absorve muito líquido — por isso é usada em menor quantidade nas receitas.
5. Farinha de Linhaça
Rica em ômega-3 e fibras, a farinha de linhaça (linhaça moída) tem um leve sabor de castanha e é ótima para engrossar caldos, sopas e para dar liga em receitas como bolinhos e almôndegas.
6. Farinha de Psyllium
Feita a partir das cascas da planta psyllium, é rica em fibras solúveis e tem grande poder de absorver líquido, criando uma textura elástica — muito usada em pães e massas low carb para simular a elasticidade que o glúten dá.
7. Farinha de Chia
A chia moída forma uma farinha rica em fibras e ômega-3, com boa capacidade de espessar líquidos (parecido com a linhaça). É uma boa opção para engrossar mingaus, vitaminas e até para empanar, quando misturada com outra farinha proteica.
Tabela Comparativa das 7 Farinhas
| Farinha | Carboidrato (por 100g) | Melhor Uso | Sabor |
|---|---|---|---|
| Farinha de Porco | 0 g | Empanados | Marcante (pele) / Neutro (carne) |
| Farinha de Frango | 0 g | Empanados | Neutro |
| Farinha de Amêndoas | ~20 g | Bolos, panquecas | Levemente adocicado |
| Farinha de Coco | ~60 g (rica em fibra) | Bolos, biscoitos | Adocicado |
| Farinha de Linhaça | ~29 g (rica em fibra) | Engrossar, dar liga | Leve castanha |
| Farinha de Psyllium | ~10 g (quase só fibra) | Pães, massas | Neutro |
| Farinha de Chia | ~34 g (rica em fibra) | Engrossar líquidos | Neutro |
Receita 1: Farinha de Porco (Versão com a Carne)
Ingredientes
| Ingrediente | Quantidade |
|---|---|
| Carne de porco magra (lombo ou filé) | 250 g |
| Sal | A gosto |
| Temperos secos (opcional) | Páprica, alho em pó, orégano |
Modo de Preparo
- Corte a carne em fatias bem finas. Quanto mais fina a fatia, mais rápido e uniforme será o processo de secagem.
- Seque na air fryer ou forno. Disponha as fatias sem sobrepor e leve a 90-100°C por 2 a 3 horas (temperatura baixa é essencial aqui — é um processo de desidratação, não de cozimento rápido), até ficarem completamente secas e quebradiças, como um jerky.
- Deixe esfriar totalmente.
- Processe até virar farinha fina, em pulsos curtos no processador.
- Tempere e armazene em pote hermético, na geladeira, por até 3 semanas.
Para a versão com a pele (mais crocante), siga a receita já ensinada anteriormente: pele assada a 200°C por 20-25 minutos até virar torresmo, depois processada.
Farinha de Porco (Torresmo Moído)

Modo de Preparo
- Prepare a pele. Se estiver usando pele crua, corte em tiras ou pedaços pequenos, retirando o excesso de gordura visível (deixe uma camada fina, ela ajuda na crocância).
- Asse ou frite até ficar bem crocante. Na air fryer, disponha os pedaços em uma única camada e cozinhe a 200°C por 20-25 minutos, virando na metade do tempo, até ficarem completamente secos e crocantes (tipo torresmo). No forno, o processo é parecido, mas pode levar de 30 a 40 minutos a 200°C.
- Deixe esfriar completamente. Esse passo é importante — o torresmo precisa estar frio e bem seco antes de processar, senão vira uma pasta em vez de farinha.
- Processe. Coloque os pedaços crocantes no processador de alimentos e bata em pulsos curtos, até formar uma farinha fina e uniforme. Se necessário, pare e raspe as laterais do processador.
- Tempere. Misture sal e os temperos secos de sua escolha à farinha pronta.
- Armazene. Guarde em pote hermético, fora da geladeira, por até 2 semanas (ou na geladeira, por até 1 mês).
Receita 2: Farinha de Frango (Pele de Frango Torrada)
Modo de Preparo
- Prepare a pele. Retire o excesso de gordura visível da pele de frango, deixando-a o mais fina e uniforme possível — isso ajuda a secar de forma mais homogênea.
- Disponha na air fryer ou forno. Coloque os pedaços de pele espalhados, sem sobrepor, sobre papel manteiga ou direto na cesta da air fryer.
- Asse até ficar crocante. Na air fryer, 200°C por 15-20 minutos, virando na metade. No forno, 200°C por 25-30 minutos. O ponto certo é quando a pele está completamente seca, quebradiça e dourada — sem partes moles ou translúcidas.
- Deixe esfriar totalmente. Assim como na versão de porco, a pele precisa estar fria antes de ir ao processador.
- Processe até virar farinha. Bata em pulsos no processador até obter uma textura fina e uniforme.
- Tempere e armazene. Adicione sal e temperos a gosto, e guarde em pote fechado, na geladeira, por até 3 semanas.
O segredinho especial
Confia em mim: o segredo de uma farinha realmente crocante é a paciência na etapa de secagem. Se a pele ainda estiver com qualquer resquício de umidade quando for processada, a farinha fica com grumos úmidos em vez de virar pó crocante. Melhor deixar alguns minutos extras no forno do que apressar essa parte.
Farinha de Frango (Versão com a Carne)

Ingredientes
| Ingrediente | Quantidade |
|---|---|
| Peito de frango sem pele | 250 g |
| Sal | A gosto |
| Temperos secos (opcional) | Páprica, alho em pó, orégano |
Modo de Preparo
- Corte o peito de frango em fatias finas.
- Desidrate na air fryer ou forno, a 90-100°C, por 2 a 3 horas, virando na metade do tempo, até ficar completamente seco e quebradiço.
- Deixe esfriar totalmente.
- Processe em pulsos até formar uma farinha fina e uniforme.
- Tempere e armazene em pote fechado, na geladeira, por até 3 semanas.
Para a versão com a pele (mais crocante e rápida de fazer), siga a receita anterior: pele assada a 200°C por 15-20 minutos, depois processada.
O Segredinho Especial
Confia em mim: a diferença entre a versão de pele e a versão de carne é o tempo e a temperatura. A pele é assada em temperatura alta, por pouco tempo, buscando crocância (igual torresmo). A carne precisa de temperatura baixa e tempo longo, buscando desidratação completa — se você usar temperatura alta na carne, ela vai queimar por fora e ficar crua por dentro, sem secar de verdade.
Como Usar Cada Farinha no Dia a Dia
- Farinha de porco/frango (pele ou carne): empanados de carnes, frango, peixe.
- Farinha de amêndoas: bolos, panquecas, crostas de tortas doces.
- Farinha de coco: biscoitos, bolos, pães doces low carb.
- Farinha de linhaça: engrossar sopas, dar liga em almôndegas e hambúrgueres.
- Farinha de psyllium: pães e massas que precisam de elasticidade.
- Farinha de chia: engrossar vitaminas, mingaus e caldos.
5 Erros que Estragam a Farinha Caseira (Evite Todos)
- Usar temperatura alta ao desidratar carne. Isso cozinha por fora e deixa cru por dentro, impedindo a farinha de ficar realmente seca.
- Processar ainda morno ou úmido. Resulta em pasta em vez de farinha crocante.
- Cortar a carne ou pele em pedaços grossos. Isso aumenta muito o tempo de secagem e prejudica a uniformidade.
- Guardar antes de esfriar completamente. Gera condensação e favorece o mofo.
- Misturar farinha de coco ou psyllium em excesso na receita. Ambas absorvem muito líquido — usar a mesma proporção da farinha de trigo deixa a receita seca ou dura.
Conclusão: Mais Opções, Mais Liberdade na Cozinha
Com essas 7 farinhas alternativas, você tem liberdade para escolher a opção certa para cada tipo de receita — seja um empanado crocante com farinha de porco ou frango (feita com pele ou carne), seja um bolo mais macio com farinha de amêndoas ou coco. O importante é entender que cada uma tem seu papel: proteica, fibrosa, espessante ou aglutinante — e usar a combinação certa.
Da próxima vez que uma receita pedir farinha de trigo, pense: qual dessas 7 opções resolve melhor o que eu preciso aqui?
Compartilhe esse artigo com quem também está buscando alternativas para reduzir a farinha de trigo sem perder praticidade na cozinha.
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Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual a diferença entre fazer a farinha de porco/frango com a pele ou com a carne?
A versão com a pele é mais rica em gordura, mais crocante e leva menos tempo de preparo (por ser assada em temperatura alta). A versão com a carne é mais proteica, tem sabor mais neutro, mas exige um processo de desidratação mais longo, em temperatura baixa.
2. Posso misturar duas farinhas dessa lista em uma mesma receita?
Sim, e muitas vezes é até recomendado. Por exemplo, misturar farinha de amêndoas com psyllium em pães low carb ajuda a equilibrar sabor e elasticidade. O mesmo vale para empanados: misturar farinha de porco com farinha de amêndoas dá mais leveza ao resultado final.
3. Essas farinhas servem para qualquer receita que peça farinha de trigo?
Não exatamente — cada farinha tem uma função específica (empanar, engrossar, dar liga, dar volume em bolos). É importante escolher a farinha certa para o tipo de receita, já que elas não se comportam da mesma forma que a farinha de trigo na hora de cozinhar.
4. Qual farinha é mais indicada para quem tem intolerância à lactose ou ao glúten?
Todas as 7 opções listadas são naturalmente livres de glúten. Para intolerância à lactose, não há problema, já que nenhuma dessas farinhas contém laticínios.
5. Onde encontro farinha de amêndoas, coco, linhaça, psyllium e chia prontas?

Todas são facilmente encontradas em supermercados (na seção de produtos naturais/saudáveis), lojas de produtos naturais ou emporios online. Já a farinha de porco e de frango, por serem menos comuns comercialmente, valem mesmo a pena serem feitas em casa, como ensinamos aqui.
Eu sou especialista em nutrição saudável e funcional. Acredito que a verdadeira transformação começa no prato — com comida de verdade, ingredientes simples e escolhas conscientes. Meu objetivo é provar que comer bem não precisa ser complicado, caro nem sem graça.
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